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Em abril de 2016, na sequência do falecimento da sua cadela e da dificuldade sentida em encontrar, através da internet, um/a novo/a amigo/a de quatro patas, uma jovem, na altura com 19 anos de idade, decidiu criar uma página de Facebook (https://www.facebook.com/adotaremviseu/) com o intuito de ajudar na divulgação de animais de estimação, sobretudo, canídeos e felídeos, disponíveis para adoção no distrito de Viseu. Esta divulgação era realizada sem qualquer critério e consistia, sobretudo, na partilha de apelos já existentes.

Com o passar do tempo, foi possível constatar que a divulgação que estava a ser realizada não contribuía para a promoção da adoção responsável, uma vez que não era realizada qualquer tipo de triagem das pessoas interessadas em adotar e estas eram, desde logo, encaminhadas para as pessoas que detinham os animais disponíveis para adotar que, na maioria dos casos, apenas os queriam despachar, entregando-os às primeiras pessoas que diziam que ficavam com eles. Tal constatou-se quando o número de mensagens que refletiam a tentativa de devolver os animais aumentou, o que aconteceu poucos meses depois da criação da página de Facebook do Adotar em Viseu. Entre os motivos expostos pelas famílias adotivas, os mais comuns foram “faz xixi e cocó pela casa toda“, “destrói a casa toda“, “ladra/mia muito“, “o/a meu/minha filho/a é alérgico/a“, “cresceu mais do que queríamos“, “tivemos um/a bebé e o animal não o está a aceitar“, “afinal, não temos tempo“, etc. Perante esta realidade, foi decidido que seria realizada uma triagem das pessoas interessadas, através de uma entrevista escrita e minuciosa, antes de as encaminhar para as pessoas que tinham os animais ao seu cargo, precisamente para evitar adoções por impulso e inconscientes.

Paralelamente, verificou-se também que a divulgação realizada não estava a promover a consciencialização da importância, sobretudo, da esterilização das fêmeas. A título de exemplo, vários foram os casos em que foi solicitado apoio na divulgação de ninhadas domésticas e, aproximadamente, quatro meses depois o pedido de ajuda era feito novamente, devido ao nascimento de mais uma ninhada da mesma fêmea. Assim sendo, uma nova medida foi implementada, de forma a que o apoio na divulgação de ninhadas para adoção, nascidas em seio doméstico, passasse a ser dado exclusivamente uma única vez, e fosse exigida a apresentação de um comprovativo da esterilização da progenitora, após o desmame das crias, por parte do/a seu/sua tutor/a.

Com a implementação das medidas anteriormente referidas, o número de animais divulgados e disponíveis para adoção começou a ser cada vez menor, dado que as pessoas que pediam ajuda não se queriam comprometer com a esterilização das suas fêmeas. Contrariamente, o número de contactos realizados por pessoas interessadas em adotar passou a ser cada vez maior. Esta situação e a consciência da problemática da sobrepopulação dos animais errantes em Portugal, inclusive no distrito de Viseu, fez com que, em 2017, o Adotar em Viseu evoluísse para um grupo de voluntários que se dedica diariamente, de alma e coração, à causa animal, contribuindo não só para a divulgação já mencionada, mas também para a sinalização de casos, o resgate de animais e o seu encaminhamento para clínicas veterinárias e/ou famílias de acolhimento temporário, uma vez que o Adotar em Viseu não tem instalações próprias. Em simultâneo, a página de Facebook do Adotar em Viseu (e agora o presente site), para além de ser utilizada como ferramenta de divulgação do trabalho realizado, passou a ser utilizada também para facilitar a angariação de apoios materiais e monetários, tendo em conta que o Adotar em Viseu não recebe qualquer apoio do Estado.

Ainda durante o ano de 2017, uma nova medida foi implementada, a qual objetivava a adoção de fêmeas, com idade inferior a seis meses de idade, somente por famílias que estavam dispostas a comprometer-se a esterilizá-las quando complementassem a idade mencionada. Paralelamente, passou a ser utilizado um termo de responsabilidade de adoção, no qual as famílias adotivas se comprometem a partilhar connosco fotografias/vídeos do animal adotado com alguma frequência, no sentido de providenciar o acompanhamento do seu crescimento e da sua vida.

Já em 2018, a obrigatoriedade da esterilização aos seis meses passou a abranger também os machos, pelo que qualquer bebé, seja canídeo ou felídeo, macho ou fêmea, terá de ser esterilizado aos seis meses de idade, a cargo da família adotiva, a qual deverá apresentar-nos um comprovativo da cirurgia (fotografia da sutura ou declaração escrita e assinada pelo/a médico/a veterinário/a). Por outro lado, para dar o exemplo e, assim, promover a doação responsável, no mesmo ano, passámos a entregar todos os animais com idade igual ou superior a seis meses de idade já esterilizados, com vista a incentivar a sua adoção.

Finalmente, em 2019, ainda antes de ser aprovado o decreto-lei que agora define essa obrigatoriedade (Decreto-Lei n.º 82/2019), passámos a exigir a colocação do microchip em todos animais, quer em canídeos quer em felídeos, quer em bebés quer em adultos, em nome da família adotiva, no momento da adoção. À semelhança das medidas anteriormente apresentadas, também esta visava a promoção da adoção responsável e o combate ao abandono. Por fim, com vista a nos auxiliar nos custos que temos com cada animal, é aplicada uma taxa de adoção, a qual varia entre os 30€ e os 70€, dependo se o animal é apenas entregue microchipado e desparasitado ou também vacinado e/ou esterilizado (a taxa de adoção é paga previamente, para termos uma garantia de que a pessoa interessada não desiste da adoção até lhe ser entregue o animal, se o fizer, o dinheiro não lhe será reembolsado e será utilizado para prestar cuidados aos animais que permanecem em adoção).

Desde então, a nossa forma de atuação tem vindo a sofrer pequenos ajustes, tendo sempre presente o bem-estar dos animais que resgatamos, os nossos protegidos, e o combate ao abandono e à sobrepopulação dos animais errantes no distrito, bem como os recursos humanos (famílias de acolhimento temporário), materiais e financeiros disponíveis.